Memória

História

O rompimento, a reconstrução e a chegada do turismo — a história da lagoa contada por quem vive aqui.

Esta página segue de perto o cordel “Lagoa das Almécegas: um pouco da nossa história”, de Danilo Cordeiro (dezembro de 2022). Os versos citados em cada capítulo são dele.

Baixar o cordel completo (PDF · 9 MB)
0121 de maio de 1968

O rompimento

Na noite de 21 de maio de 1968, quem morava nas margens ouviu um grande estrondo: a água rompeu e desceu rumo ao mar, levando pela frente o que encontrava. No cordel de Danilo Cordeiro, a versão da comunidade é clara — foram as dunas que não suportaram o peso de tanta água.

No dia seguinte, a notícia se espalhou: a lagoa tinha estourado. Sobraram lamentos — gente sem casa, sem plantas e sem animais, e o peixe, ali, não tinha mais. Foi uma perda que ficou marcada na memória dos moradores e passou a ser contada de geração em geração.

Ouvia-se um grande estrondo,

era a lagoa que iria

descendo rumo ao mar

do cordel de Danilo Cordeiro (2022)
021987

A reconstrução

Em 1987, a paróquia de Paraipaba, em convênio com a Holanda e com doações arrecadadas, construiu o sangradouro e as paredes — com pedra, areia e cimento, alvenaria e argila compactada. Dessa data em diante, a lagoa ressurgiu: a própria natureza guardou a água de novo.

Foi por essa época que começaram as missas campais de janeiro, celebradas pelo padre Pascoal e organizadas pelo Azimiro, com famílias batizando os filhos na beira d'água. Vinha gente de Trairi, Paraipaba, Camboas e Lagoinha — e foi através dessas missas que a lagoa começou a ser frequentada.

em 1987 a paróquia de Paraipaba

em convênio com a Holanda

fez sangradouro e paredes

e a natureza botou a água

do cordel de Danilo Cordeiro (2022)
03Hoje

Como virou ponto turístico

Da década de 90 pra cá, a fama da lagoa só aumentou. A primeira barraca era bem simples, de paredes e teto de palha, vendendo refrigerante, biscoito, água de coco e cachaça — depois se expandiu, e hoje o lugar é ponto turístico conhecido no Brasil e no exterior.

O cordel lembra que até a Rede Globo gravou a semifinal do programa de sobrevivência "No Limite" aqui, e que a lagoa já recebeu nomes como Tiago Silva, Lary Ingrid, Taty Girl, Toguro, Matuê e Tarcísio do acordeon.

Quem visita hoje encontra floresta preservada, pôr do sol entre dunas, passeio de catamarã, banho na cachoeira e barracas com culinária de primeira — o encontro com a natureza e a tranquilidade pura que os versos já anunciavam.

hoje é ponto turístico

roteiro de quem procura

encontro com a natureza

e tranquilidade pura

do cordel de Danilo Cordeiro (2022)